Outubro 27, 2017 compartilhar

FIFA, a história jamais lhe pertenceu. Mundiais de 1960 a 2004 são “oficializados”.

FIFA, a história jamais lhe pertenceu. Mundiais de 1960 a 2004 são “oficializados”.

Em um lampejo de humildade, além de interesses particulares, a entidade máxima do futebol resolveu nessa sexta-feira chancelar como oficiais os Mundiais não organizados por ela, realizados entre 1960 a 2004.

O selo da entidade corrupta não muda absolutamente nada. Homens engravatados, reunidos no ar-condicionado de suntuosos palácios e sedentos por dinheiro e poder, jamais terão autoridade e moral para mudar a história e o sentimento dos torcedores.

A torcida do Santos sempre se encheu de orgulho ao afirmar que a exibição do dia 11 de Outubro de 1962,  na decisão contra o Benfica, em pleno estádio da Luz, foi a maior de uma equipe em toda a história do futebol. Placar de 5×2, com show de Pelé e recepção de heróis aos jogadores. No ano seguinte, o Maracanã e o Rio de Janeiro se pintaram de preto e branco para o bicampeonato contra o Milan.  O flamenguista estufou o peito de orgulho ao comemorar, em 1981, o título de uma sangrenta Libertadores contra o violento Cobreloa e ao gritar ” é campeão do mundo” após fazer 3×0 no Liverpool em apenas 45 minutos e deixar os ingleses como “baratas tontas” aguardando o final da partida e rezando para não voltarem à terra dos Beatles com uma goleada ainda mais acachapante. Com dois gols do jovem Renato contra o Hamburgo, em 1983, os gremistas puderam constatar que, de fato, a terra é azul. O Rio Grande do Sul parou em uma festa sem fim. No começo dos anos 90, como dizia Milton Neves, “torcer para o São Paulo era uma grande moleza”. Os comandados de Telê Santana atravessaram o mundo em 1992 e 1993 para derrotar dois supertimes: Barcelona, na virada que eternizou Raí, e Milan, com o santo calcanhar involuntário de Müller.

Para os torcedores que vivenciaram tudo isso e se sentiram, independentemente do nível social, donos do mundo com essas conquistas, nada mudou. Já eram campeões mundiais e ponto final.

Sim, a dona FIFA teve a presunção de tentar apagar a história, dizendo que os Mundiais não organizados por ela “não valiam”.

Cada mais ver mais caída e desmoralizada, a entidade máxima parece ter começado a entender que jamais conseguirá ser maior que o futebol, e que, definitivamente, a história não lhe pertence.

Podem ser os donos da grana. Da bola e das emoções proporcionadas por gols e conquistas, jamais.

Nem tudo o dinheiro pode comprar….

 

 

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